quarta-feira, 08 de setembro de 2010
 
Contexto bíblico – contexto familiar
19/01/2009

Secretaria da Família
Contexto bíblico – contexto familiar
Antonio Fernandes da Rocha Neto

A Secretaria da Família nasceu no novo modelo estrutural da IPI do Brasil. Integra o Ministério da Missão. Aí ela está porque entendemos que, entre os objetivos missionários da igreja, está a família. A substituição do antigo nome, Secretaria de Forças Leigas, deve ser encarada, nas igrejas locais, nos presbitérios e nos sínodos, não como mais uma mudança de nomenclatura, mas como ênfase motivacional para o nosso trabalho. A orientação central dessa secretaria deve ser realmente o de fortalecer os relacionamentos familiares, instrução que encontramos no Projeto Semeando. A igreja deve estar, mais do que em outras épocas, voltada para as questões familiares. Esta foi a grande motivação para tal mudança. Os braços operacionais dessa secretaria continuam os mesmos: a CNA (Coordenadoria Nacional de Adultos) e a CNU (Coordenadoria Nacional da Umpi) e outras coordenadorias nacionais a serem formadas. Mas a meta principal foi redirecionada para a família como um todo. Um pouco disto já pudemos ver no Congresso Nacional realizado em novembro de 2008: Família, Projeto de Deus. O mesmo ocorre com a nossa Alvorada, a revista da família.

Tudo o que falamos até aqui deve ser sustentado pelo ensino da própria Bíblia. O que proponho, num primeiro momento, é procurarmos fazer uma leitura das Sagradas Escrituras sob a ótica familiar. Isto não é tão difícil porque, entre os vários panos de fundo, sejam políticos, sociais, econômicos e religiosos, sem dúvida o mais marcante é a própria família em suas várias formas de relações. A história do povo hebreu e da igreja foi desenvolvida em diferentes regiões e países, num período aproximado de 4.000 anos, mas um dado sempre esteve presente: o contexto familiar. Os mais complicados dramas e suas soluções provinham do ambiente familiar. Assim, apenas sugiro um simples esboço, um sumário para a leitura da Bíblia, para, na próxima edição, darmos algumas pistas para o trabalho com as famílias.

Antigo Testamento
Pentateuco
Adão e Eva (cônjuges); Caim e Abel (irmãos); Noé e sua grande família (pai, mãe, filhos e noras); Abraão, Sara e Isaque (pai, mãe e filho); Abraão e Ló (duas famílias); Hagar e Ismael (mãe e filho); Isaque e Rebeca (cônjuges); Isaque, Rebeca, Jacó e Esaú (pai, mãe e filhos); Jacó e Esaú (irmãos); Jacó e Raquel (cônjuges); Diná (filha); Jacó (viúvo); Jacó, filhos e filhos (José entre “irmãos”); Moisés em família (mãe e irmã); Moisés e Arão (irmãos); a importância da família na libertação do Egito; a Páscoa,  festa familiar; o ensino das crianças pelos pais (Deuteronômio).

Livros Históricos
Josué, o grande conquistador: “Eu e minha casa (família) serviremos ao Senhor”; Gideão: “Minha família é a mais pobre e eu o menor da minha família”; Sansão e sua mãe;
Noemi e Rute (sogra e nora); Rute e Boaz; Ana e Elcana (cônjuges sem filhos); Ana e o filho Samuel consagrado a Deus; Eli e seus filhos; Jessé e filhos (unção de Davi); Davi e Mefibosete (adoção?); Davi e Bate-Seba (adultério); Davi e sua descendência (brigas entre irmãos); Elias, a viúva de Serepta e seu filho; Eliseu e a viúva (episódio das vasilhas); Eliseu e a Sunamita; Mordecai (“o empresário”) e sua filha adotiva, Ester.

Livros Poéticos
Jó e seus filhos; Jó e sua mulher; Salmos 127 e 128; Provérbios (orientações a pais e filhos); provérbios a mulher (família) virtuosa; Cantares ou Cântico dos Cânticos (Hino ao amor conjugal).

Profetas
Isaías: centralidade nas famílias desamparadas (viúvas e órfãos); o amor de Deus no contexto familiar (“ainda que uma mãe abandone o filho que amamenta”). Joel (profecia no contexto de gerações: filhos e filhas, velhos e jovens). Oséias (linguagem familiar; casamento estranho)

Novo Testamento
Evangelhos
Zacarias, Isabel, João Batista e José, Maria e Jesus (duas famílias); Jesus é levado por seus pais ao templo (adolescência); primeiro milagre (num casamento); cura da sogra de Pedro; Marta, Maria e Lázaro (solteirões?); a cura da filha de Jairo; Jesus vai à casa de Zaqueu (refeição familiar); a mulher samaritana (seus “maridos”); Jesus na cruz (sua preocupação com Maria, adoção de João); linguagem de relacionamento familiar (Jesus/Filho e Deus/Pai); Jesus e as crianças; oferta da viúva pobre; Jesus e as mulheres que serviam com seus bens; adultério; divórcio (duas vezes); parábola dos dois filhos; parábola das virgens (casamento); parábola do Pai e dois filhos (Filho pródigo).

Atos
Discurso de Pedro (“A promessa é para vós e vossos filhos”); Paulo (“Serás salvo tu e tua casa”); Ananias e safira (cônjuges); Priscila e Áquila (cônjuges); a igreja reunida nas casas.

Epístolas
Várias famílias cooperadoras (Romanos); o ensino para a harmonia familiar (Colossenses e Efésios); Jesus e a igreja (esposo e noiva); Filemom (“a igreja que está em tua casa”).

Apocalipse
Jesus: “Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.20).

Dentre todos esses momentos, destaco a segunda parte do livro de Gênesis a partir do chamado de Abraão (Gn 11). Ali tem início a história do povo de Israel a partir de uma saga familiar com intrigas, traições, violências, ou seja, a família em crise. A Bíblia nada esconde; os problemas são expostos. Porém, sua intenção não é a de denegrir família; pelo contrário, por incrível que pareça, sua intenção é a de trazer esperança em meio aos maiores dramas familiares que possam existir.

Por exemplo, na reconciliação de Jacó e Esaú: “Então Esaú correu-lhe ao encontro, abraçou-o, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. E eles choraram” (Gn 33.4). E, principalmente, no final da conturbada história de José e sua família. A história da família de José é marcada por inveja, ódio, mentiras, mas termina com a marca do perdão, do amor e da reconciliação.

O Rev. Antonio, pastor da 2ª IPI do Rio de Janeiro, RJ, é o secretário da família da IPI do Brasil


 

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